AFOXÉ


                            


Afoxé, também chamado de Candomblé de rua, é um cortejo de rua que sai durante o carnaval. Trata-se de uma manifestação afro-brasileira com raízes no povo iorubá, em que seus integrantes são vinculados a um terreiro de candomblé. O termo afoxé provém da língua iorubá. É composto por três termos: a, prefixo nominal; fo, significa dizer, pronunciar; xé, significa realizar-se. Segundo Antonio Risério, afoxé quer dizer o enunciado que faz acontecer.

História do Afoxé

A partir de 1530 começaram a ser trazidos para o Brasil africanos para serem escravizados. Entre 1550 e 1850 chegaram ao país cerca de 3,5 milhões de africanos, especialmente de Guiné, da Costa do Marfim, de Mali, do Congo, de Angola, de Moçambique e do Benin. 

Em 1800, cerca de 2/3 da população do país - 3 milhões de habitantes - era formada por negros e mulatos, escravos ou libertos. A inserção da população negra na sociedade se dá pelo trabalho favorecendo, dessa maneira, a convivência familiar, social e cultural. A miscigenação avança com um número cada vez maior de mulatos.Os negros trouxeram consigo a sua própria religiosidade que cultua os Orixás/Inkises, deuses das nações africanas. 

Em meio a toda violência da escravidão, os africanos buscavam manter suas identidades. Sua religiosidade era praticada primeiramente dentro das senzalas com cantos, danças e batuques tocados ao som de atabaques (deste batuque nasceu por exemblo o samba). 

Depois com a proibição dos senhores portugueses que consideravam o candomblé como feitiçaria, eles passaram a praticar sua religião em segredo dentro das matas durante a noite. 

Mesmo com a perseguição da polícia o candomblé resistiu, e hoje já são mais de 20 mil terreiros espalhados pelo país. No Brasil, a religião cultua apenas 16 dos mais de 200 orixás existentes na África Ocidental. Uma das festas mais conhecidas do candomblé brasileiro é a de Iemanjá, orixá feminino considerado a rainha dos mares e oceanos. A primeira manifestação carnavalesca em forma de bloco surgiu do candomblé, com o Afoxé - grupo de ogãs (tocadores de atabaques) que eram também estivadores do cais de Salvador que se reuniam para brincar o carnaval depois de liberados pela Mãe ou Pai de Santo. Em Salvador eles saem até hoje com o nome de "Filhos de Ghandi". 

Características

O afoxé tem comportamento específico, seus foliões estão vinculados a diversos terreiros de candomblé. Têm consciência de grupo, de valores e hábitos que os distinguem de qualquer outro bloco. Para quem não conhece o candomblé e suas cantigas, olha como se fosse um bloco carnavalesco diferente, mas é o candomblé de rua, segundo Raul Lody.
As principais características são as roupas, nas cores dos Orixás, as cantigas em língua Iorubá, instrumentos de percussão, atabaquesagogôsafoxés e xequerês. O ritmo da dança na rua é o mesmo dos terreiros, bem como a melodia entoada. Os cantos são puxados em solo, por alguém de destaque no grupo, e são repetidos por todos, inclusive os instrumentistas. Antes da saída do grupo ocorre o ritual religioso (como a cerimônia do "padê de Exu" feita antes dos ritos aos orixás numa festa de terreiro).
O afoxé Embaixada da África foi a primeira manifestação negra a desfilar pelas ruas da Bahia, em 1885. Em seu primeiro desfile, utilizou indumentária importada da África. No ano seguinte, surgiu o afoxé Pândegos da África.

Ocorrência

Podem ser encontrados no Carnaval da Bahia em Salvador e nas cidades de FortalezaRecifeOlindaRio de JaneiroSão Paulo e Ribeirão Preto.
Nos anos 1980, havia um grupo em Belo Horizonte, o Afoxé Ilê Odara, fundado por Gilberto Gil e a iyalorixá Oneida Maria da Silva Oliveira, a Mãe Gigi. O afoxé foi extinto e desfilou pela última vez, em Belo Horizonte, no ano de 1988, após a morte de dona Oneida. Desfilavam no grupo mineiro nomes como o cientista político da UFMG Dalmir Francisco, o bailarino Márcio Valeriano e o ex-prefeito de Belo Horizonte, Maurício Campos, além de personalidades da comunidade negra, como a coreógrafa Marlene Silva, o músico Mamour Bá, a bailarina Rosileide Oliveira e o sambista Raimundo Luiz de Oliveira, o Velho Dico. Em Ribeirão Preto, SP, o Afoxé Ómò Orunmilá iniciou nos anos 1990 sua participação no Carnaval de Rua local, sob iniciativa do Centro Cultural Orunmilá que tem na cidade entre outras a função de resistência cultural ante as tentativas de dominação da cultura negra pela cultura ociental e de preservação dos laços negros e afrodescentes do carnaval de rua, seus espetáculos e suas agremiações carnavalescas locais.

Afoxés da Bahia

  • Filhos de Gandhy
  • Filhas de Gandhy
  • Filhas de Olorum
  • Filhos de Korin Efan
  • Filhos de Ogum de Ronda
  • Filhos do Congo
  • Ilê Oya
  • Kambalagwanze
  • Luaê
  • Olorun Baba Mi
  • Tenda de Olorum
  • Afoxé de Alagoas
  • Afoxé Odô Iyá

Afoxés de Fortaleza

  • Afoxé filhos de oyá
  • Afoxé Acabaca
  • Afoxé Oxum Odolá

Afoxés de Pernambuco

  • Afoxé Orá Ode
  • Afoxé Alafin Oyó
  • Entidade de Cultura Negra Afoxé Ylê de Egbá
  • Afoxé Oxum Pandá
  • Grupo de Cultura Negra Afoxé Timbaganju
  • Afoxé Obá Ayra
  • Afoxé Omim Saba
  • Afoxé Povo de Ogunté
  • Afoxé Filhos de Xangô
  • Afoxé Guian Alamoxé Orum
  • Entidade Sócio Cultural Afro-descendente Nagô Afoxé Oyá Alaxé
  • Afoxé Axé Ifá
  • Afoxé Ogum Toberinã
  • Afoxé Povo de Ogundê
  • Afoxé Ilê Xambá
  • Afoxé Filhos de Dandalunda
  • Afoxé Elegbara
  • Afoxé Omô Nilê Ogunjá
  • Afoxé Oyá Tokolê

Afoxés do Rio de Janeiro

Afoxé Estrela D´Oyá
O Bloco Afoxé Estrela D´Oyá, fundado em 8 de março de 1999, é referência na cultura afro carioca e busca preservar, valorizar e expandir a cultura afro-brasileira no fortalecimento da identidade étnica. O Afoxé Estrela D´Oyá foi o primeiro bloco de afoxé fundado por uma mulher[1] no Rio de Janeiro. Devido à beleza e a seriedade com que desfila o bloco, teve como mérito ser escolhido para ser o primeiro bloco a desfilar oficialmente na Avenida, abrindo os festejos carnavalescos no Rio de Janeiro.[2]

Afoxé T'Ogum Laxe - Macaé
Criado em Macaé, estado do Rio de Janeiro, no dia 26 de julho de 2004. Tem a proposta de divulgar e promover uma das raízes religiosas, culturais e recreativas da cultura afro-brasileira, através de ritmos e danças. As vestes são abadás e turbantes azul, branco e coral. O ritmos e o ijexá, compassado e envolvente que leva as pessoas, seja de que idade for, a se soltarem e a criarem seus próprios movimentos ao dançar.

AFOXÉ ILE OBA
O SOM DO AFOXÉ ILE OBA É ENIGMÁTICO , SENSUAL , FÁBRICA DE SONHOS. ANUNCIADOR DOS NOVOS TEMPOS E BASEADO NOS RITUAIS DA TRADIÇÃO DO CANDOMBLÉ , DOS QUILOMBOS E DAS RODAS DE SAMBA. O AFOXÉ ILE OBA CELEBRA SEUS 5 ANOS DE EXISTÊNCIA. UMA HOMENAGEM A FORÇA DA VIDA.
CRIADO EM CABO FRIO-RJ , DENTRO DO ILE AXÉ EWE BIYOLA - AXÉ PARQUE SÃO JORGE.

Afoxés de São Paulo

  • Afoxé Iyá Ominibú - São Paulo - SP (Abertura Oficial do Carnaval de São Paulo)
O Afoxé Iyá Ominibú foi fundado em 01/07/1993 e teve seu batizado realizado no dia 11 de setembro de 1.993 por pai Valdemiro de Xangô (Baiano) em sua sede provisória à rua São Conrado, 34 - Imirim. Tem como presidente a Ekéde Regina, fundou o afoxé, sendo assim, a primeira mulher presidente de um afoxé no Brasil. Seu 1o desfile ocorreu no dia 13 de fevereiro de 1.994 Domingo abrindo o desfile do Grupo I da Liga conforme acordo firmado entre a Liga e o Afoxé que deveríamos desfilar por 2 anos no Grupo I, passando então automaticamente para o grupo Especial no 3o ano. Nesse ano de 94, homenageamos a patrona do Afoxé, a orixá Oxum, como manda a tradição em ritmo de ijexá e cantando cantigas de candomblé.
  • Afoxé Omó Orunmilá - Ribeirão Preto - SP
O Afoxé Omó Orunmilá é o símbolo máximo da resistência negra na região de Ribeirão Preto. Esta luta tem, em Ribeirão Preto, o Centro Cultural Orunmilá como principal espaço de liderança e ação. Uma das atividades desenvolvidas pelo Centro Cultural é o afoxé. O Afoxé Omó Orunmilá contempla em seus quadros vários representantes da comunidade que têm ligação orgânica com a causa da defesa dos negros e desfila - desde 1996 - na abertura do carnaval da cidade. O Afoxé procura destacar a ancestralidade como fonte referencial da luta dos negros contra o preconceito e contra a discriminação. Em suas cantigas, entoadas na língua iorubá, em suas vestimentas e na postura combativa dos seus integrantes o Afoxé Omó Orunmilá resume o embate cotidiano de seus integrantes na busca por uma sociedade igualitária que respeite os negros como dignos co-fundadores da nação brasileira, por meio do reconhecimento dos seus direitos e permita a eles o acesso a espaços igualitários na construção social e econômica do Brasil.
  • Afoxé Laroye - Praia Grande - SP (Abertura Oficial do Carnaval de Praia Grande)
AFOXÉ AXÉ ILÊ OYÓ - SANTOS/SP CRIADO: 28 junho 2006.

Afoxé é um instrumento musical composto de uma cabaça pequena redonda, recoberta com uma rede de bolinhas de plástico parecido com o Xequerê sendo que o afoxé é menor.
O afoxé pode ser de madeira e/ou plástico com missangas ou contas ao redor de seu corpo. O som é produzido quando se giram as missangas em um sentido, e a extremidade do instrumento (o cabo) no sentido oposto. Antigamente era tocado apenas em Centros de umbanda e no samba. Atualmente, o afoxé ganhou espaço no Reggae e música Pop.

Afoxé é definido popularmente como um ritmo do Candomblé. Mas, na realidade, o ritmo africano utilizado no Candomblé e nos blocos de Afoxés tem o nome africano de igexá ou ijexá. A marcação do agogô é sua batida característica, tornando esse ritmo facilmente identificável. O ijexá se tornou popular principalmente pela atuação do grupo baiano Filhos de Gandhi. Cantores renomados, como Gilberto GilVirgínia RodriguesMaria Bethânia e Caetano Veloso, também interpretam músicas no ritmo ijexá, contribuindo para a difusão do ritmo.

Trata-se de mais um ritmo afro presente na cultura local. De origem iorubá, a palavra afoxé poderia ser traduzida como "a fala que faz". Para alguns pesquisadores seria uma forma diversa do maracatu. O termo Afoxé da África denota a festa profano-religiosa efetuada pela nação no momento oportuno. A expressão afoxé teve uso restrito, apenas entre os seus participantes, já que os autores dedicados ao estudo do maracatu não a registram.

Três instrumentos básicos fazem parte desta manifestação. O afoxé (ou agbê), cabaça coberta por uma rede formada de sementes ou contas, é percutido agitando-se a rede, que fricciona no corpo da cabaça. Os atabaques, basicamente de três tipos, com três tamanhos diferentes que em conjunto traduzem o som do ijexá, tocado no afoxé atualmente. O agogô, formado por duas campânulas de metal, com sonoridades diferentes, é quem dita o ritmo aos demais instrumentos.

As melodias entoadas nos cortejos dos afoxés são praticamente as mesmas cantigas ou orôs entoados nos terreiros afro-brasileiros que seguem a linha jexá.

O Afoxé, longe de ser, como muita gente imagina, apenas um bloco carnavalesco, tem profunda vinculação com as manifestações religiosas dos terreiros de candomblé. Vem daí o fato de chamar-se o afoxé, muitas vezes, de "Candomblé de rua". Inclusive por homenagear um orixá, geralmente, o orixá da casa de candomblé a que pertence. Em Pernambuco, o afoxé ressurge com o Movimento Negro Unificado no final da década de 70, como uma das formas de se fazer chegar à maioria da população, o debate sobre consciência negra e liberdade, através da música.

Fonte: Wikipédia

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